Sandra Loffreda
Quando eu era criança, uma das coisas que mais adorava no verão, era poder fazer bolhas de sabão.

Meu irmão ia até o terreno baldio da esquina, pegava uns talos de mamona, lavava, cortava e viravam canudinhos.

Minha mãe preparava o sabão e a água em copos de plástico e lá íamos nós pra cima da garagem. Em meio a brigas e risadas, passávamos a tarde soltando as bolhinhas ao vento.

A tristeza só me alcançava quando, por um descuido de criança desengonçada que sempre fui, derrubava toda aquela alegria; ia com cara de culpada pedir mais água e sabão pra minha mãe, mas, mesmo que ela fizesse, antes viria uma senhora bronca.

De tudo que me lembro, as bolhinhas flutuando coloridas é a lembrança mais doce e alegre que trago da infância.

Eu chamava de sonhos. Pra mim, os sonhos eram feitos assim, como as bolhinhas de sabão.

Hoje, eu diria que são mais que sonhos. Apesar de efêmeras, em seu curto tempo de vida, encerram em si um sopro colorido de vida e esperança. Cada bolhinha solta no ar, carrega a esperança de alcançar o céu.

Então, hoje vou fazer uma bolhinha de sabão. Uma só. E vou soprar nela um sonho colorido, desejando que ela só conte meu segredo depois de atravessar o céu e chegar a olhos atentos às cores da minha alma.

Nessa aquarela que fiz em 2009, tentei colocar todo o meu amor pelas bolhinhas de sabão. Não deu certo. Ficaram bolas pesadas, parecem mais planetas, mas, mesmo assim, vejo sonhos coloridos dentro delas.
Bolhas - Aquarela - 2009
Bejoconas leves e coloridas.

2 Responses
  1. Mazza Cimini Says:

    Olá amiguinha, que Jesus lhe inspire sempre...

    Ah Sandra, um quadro é sempre um lugar real, ainda que seja só no nosso interior.
    Suas bolhas com essa nuance de cores perfeita nos transporta à infância colorida, toda cambiante, sem o cinza das provações.

    abraços com cheirinho de alecrim,

    Mazza


  2. Silvia Says:

    Ah... amei os seus 'planetas'!...


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